Há um impacto enorme em alguns exercícios ou dinâmicas de grupo. Nem sempre quem os aplica avalia a abrangência dos seus efeitos. Há muitos anos atrás, fazia eu parte de um grupo que iria se sujeitar a uma dessas dinâmicas. Estávamos tentando nos sentir à vontade naquela situação meio incômoda, meio forçada de chegada de pessoas estranhas num mesmo recinto, quando um coordenador surgiu, distribuiu lápis e papel e nos orientou para riscar uma linha. Obedecemos e as linhas foram feitas com rapidez. A explicação de que aquela era a linha da vida foi nos remetendo a um clima bem diferente do que o que estávamos. Aquele traço passou a ter um significado de peso. A ordem seguinte foi determinar em que ponto da linha cada um de nós se encontrava. Tão simples quanto tremendamente impactante. O grupo todo ficou sob o efeito daquela questão. Até aquele instante éramos um grupo falando amenidades. Passamos a ser pessoas refletindo sobre a vida e sua finitude. Não se ouvia um som, mas eu sentia que havia algo de perturbador no ar. Não era no ar. Estaria eu na metade da linha? Muito menos? Olhei para os outros na sala e notei que uma angustia veio sorrateira e pegou firme nos menos avisados. Pegou em cheio em mim. Não nos foi dito quanto tempo teríamos para achar o tal do ponto. Não sei se levei um ou dez minutos. Sei que levo essa linha com esse ponto comigo até hoje. Especialmente hoje, quando tive que me defrontar com a morte de um amigo. Fui pega de surpresa. Ele foi pego de surpresa. Estava quieto no seu canto. Andava curtindo seus netos e escutando suas músicas em paz. Tinha até um plano de viajar. Parece que havia chegado a hora de diminuir a maldita tensão que o acompanhou em quase todos os momentos de sua vida. Estar tenso era talvez seu jeito de ficar atento ou de lidar com sua ansiedade. Claro que não foi sua escolha ser assim. Quem o entendia o admirava e tinha nele um grande amigo. Um câncer fulminante acabou com sua vida. A tal dinâmica da linha e do ponto me voltou a cabeça. Onde teria ele colocado o ponto na sua linha há um ano atrás? E há cinco? E há dois meses? Será que teria alguma intuição sobre a fatalidade que estava para lhe acontecer? O que teria feito diferente se soubesse o tempo que lhe restava? E eu...? E quem não está exatamente nessa situação? Sabemos que temos um prazo de vida com a possibilidade de a qualquer momento receber a trágica surpresa. Vivemos fingindo que não é assim. Perdemos muito esbanjando dias, horas e momentos preciosos. Encarar sem rodeios e sem fantasias a idéia da morte pode ajudar a rever a forma desse viver que levamos. É exatamente em horas como essas, quando sentimos aquela dor pungente e miserável da perda, que temos a maior possibilidade de fazer reflexões, analisar e até mudar. É hora de recolhimento. De juntar alguns cacos. De tentar remontar peças que desencaixaram. De lamber feridas. De reverenciar o amigo que partiu. Preciso silêncio.
Tinha quatro pontos de tv por assinatura da Sky, há muitos anos.
Ultimamente, bastava ameaçar chover e o sinal caia.
Há dez dias, numa queda de luz, restabelecida após algumas horas, o sinal da tv não retornou.
Liguei para a operadora, que me informou que mandaria um técnico, dali a três dias. Fiquei revoltado com o prazo, mas como era carnaval, acabei aceitando. Passada a quarta feira de cinzas e nada do técnico.
Na sexta feira, liguei de novo para reclamar e fui informado que o técnico havia comparecido em casa no dia anterior, num horário em que não tinha ninguém em casa. Duma forma rípida, informaram-me que o técnico somente retornaria na semana seguinte. Mais indignado, saquei minha única arma: o cancelamento do serviço, já que eles não são mais monopolistas. Após mais de três horas no telefone, consegui finalmente me livrar da operadora. Fui para sua concorrente, a qual fui informado pertence ao mesmo grupo de comunicação. Uma tal de Globo.
Entretanto, o preço é mais barato e o sinal é a cabo e não via satélite.
Mais uma indignação: paguei pelos serviços da SKY, de forma antecipada. Exatamente um mês. Fui informado pela atendente, que eles não devolvem o dinheiro.
Acho que só vou devolver os decodificadores, quando me devolverem o dinheiro. Acho que é justo.
Ah, uma última informação: nesta semana, o técnico da Sky apareceu em casa para fazer o reparo...
Maria Inês Nassif é das melhores analistas da realidade política brasileira, um sopro de lucidez no dia a dia dos jornais. Sou suspeito, admito. Mas Luiz Carlos Bresser-Pereira, Luiz Gonzaga Beluzzo, Antonio Barros de Castro, o falecido Gilberto Dupas e outros dos mais influentes intelectuais brasileiros concordam.
Recentemente ela analisou a lei anti-fumo do governador José Serra e considerou que o ponto central era a delação. O título do artigo era “Um incentivo à deduragem” (clique aqui).
Uma pessoa qualquer que estiver no restaurante quando alguém acender um cigarro lá dentro poderá ligar para um 0800 e fazer uma denúncia, ou preencher um “formulário” na internet. A sua palavra é prova contra o restaurante e dela decorrerão sanções legais. Para a lei, basta que o denunciante diga que não mentiu para que a sua denúncia seja considerada verdade. O estabelecimento acusado, no entanto, terá que provar que a denúncia foi mentirosa para ser considerado inocente.
A análise se baseava no estudo da lei e nas declarações textuais do Secretário de Justiça Luiz Antonio Marrey.
O secretário de Justiça do Estado, Luiz Antônio Marrey, ao comentar uma pesquisa do Instituto GPP e da InformEstado que indicava que 64,9% dos entrevistados não pretendem denunciar locais com fumantes, disse que, num primeiro momento, a “metade que vai denunciar é suficiente para colaborar com a fiscalização”. A tendência é que a delação aumente, para o bem de todos, disse o secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata: “O uso do cigarro em ambiente interno é culturalmente aceito há anos. Começamos a mudar isso só agora. Por isso, nesse primeiro momento, a intenção de denunciar não aparece. Acredito que, com a aplicação da lei e os donos de bares se engajando em preservar os estabelecimentos, as denúncias vão surgir”.
Não havia um erro factual, uma distorção sequer das declarações. Em cima disso exerceu seu direito de opinar e condenar o instituto da delação.
Interessante: Hoje vi um agente de trânsito da Emdec, cometendo uma infração ao converter à esquerda em um local proibido. Logo ele que deveria dar o exemplo.
Justamente em um sinal, no qual minha esposa foi multada sem ter cometido a mesma infração. Ela não converteu à esquerda. Recorri da multa, mostrando que ela nunca poderia entrar ali naquele momento. Estava até convincente, mas o recurso foi julgado improcedente. Paguei a dita. Pena eu não poder multar o agente.
Mais uma: vi uma pickup da prefeitura, em pessimas condições de uso. Não sei como aquele carro anda. Ali nas redondezas da Lagoa do Taquaral. Tem estado por lá todos os dias. Vou fotografá-la para mostrar a todos.
Me lembrei do Caetano: "enquanto os homens exercem seus podres poderes..."
Entre milhões de pessoas, você tem de localizar Wally. Sempre perdido na multidão.
Bem, na última segunda feira, fomos a São Paulo, para treinar no Planet, para o Paulista de Tercetos. Eu, meu filho Douglas, Fábios, Kosaka e Cunzolo, Talita e Tarik e para completar as pistas, Wally Gervásio Junior.
Nosso presidente resolveu filmar alguns lances, os quais reproduzo abaixo.
Misturar a farinha de trigo e o sal com a ponta dos dedos, acrescentando a água gelada, até formar uma massa bem consistente. Colocá-la no congelador por 10 minutos.
Após, retire a massa, abra-a com rolo e um pouco de farinha de trigo, pincelando com a manteiga. Dobre-a várias vezes, sempre pincelando com a manteiga e espalhando um pouco de farinha de trigo por cima, e recoloque no congelador por mais 10 minutos.
Repita esta operação, por cinco ou seis vezes.
Recheio:
Misture bem todos os ingredientes do recheio em uma travessa e reserve durante o preparo da massa
Em uma forma bem untada com manteiga (ou óleo) coloque a massa aberta, de forma que ela fique o dobro do tamanho da forma. Acrescente o recheio, fechando a massa como se fosse um grande pastel. Atente para fechar bem as extremidades. Pincele com a gema do ovo e leve ao forno médio por 40 minutos aproximadamente, até dourar bem e a massa ficar crocante.
Ø1 picanha, de 1,5 a 1,8 kg (ou outro pedaço de carne de 1ª)
Ømostarda
Øsal
Ø4 ovos
Ø4 xícaras de farinha de trigo
Ø750 ml de leite
Para o molho:
Ø40 folhas de hortelã fresca
Øvinagre de vinho tinto
Øaçúcar
Modo de preparo:
Aqueça bem o forno. Besunte generosamente a carne com sal fino e mostarda. Em uma forma (+ou– 35X25 cm) untada com azeite de oliva, ponha para assar, em fogo alto, inicialmente com a gordura para cima. Virar após dez minutos. Deixar assar por mais dez minutos.
Durante este período preparar o pudim: em um liquidificador colocar os ovos (caipira de preferência), a farinha, o leite e bater bem. Sal a gosto. A mistura deve ficar bem rala. O copo do liquidificador deve ficar quase cheio.
Após os vinte minutos iniciais, com a carne no forno, acrescentar o pudim, em torno da carne, já com a gordura para baixo. Manter em fogo alto, por mais ou menos dez minutos. Retirar a carne, que deve estar bem dourada, porém mal passada, deixando-a descansar em lugar levemente aquecido. Este descanso é importante para que o tom avermelhado da carne se uniformize.
Terminar de assar o pudim , em fogo médio, até que o mesmo fique dourado e crescido. Deve levar de 15 a 25 minutos, dependendo do forno.
Cortar a carne em fatias bem finas, no sentido vertical às fibras, de forma que cada fatia contenha um pequeno pedaço de gordura. É importante que a carne fique mal passada.
Retornar a carne fatiada e os caldos, à forma, no orifício de onde retirou a carne. Cortar o pudim, na própria forma, em porções individuais.
Molho de hortelã (mint sauce): pique o mais possível as folhas de hortelã e coloque-as em uma pequena vasilha. Acrescente um copo de vinagre de vinho tinto e uma colher de sobremesa de açúcar. Misture bem. Está pronto o molho. Este molho acompanha também assados de porco ou de carneiro.
Servir com arroz branco. O molho de hortelã deve ser adicionado sobre a carne.
Seriedade, determinação, alegria, simpatia, vontade, conhecimento, convicção, coragem, ironia, bravura, elegância, entre centenas de outras coisas.
Jogou como ninguém. Fazia strike como só ele sabia. Sem força, mas com uma precisão incrível. Mostrou para muita gente que boliche não é força. É jeito.
Matava pino dez, com um back-up elegantíssimo.
E, era, sem sombra de dúvidas, o melhor organizador de torneios que conheci. Independentemente dos bolinhos de chuva e das macarronadas, que preparava, sempre as suas próprias custas, com um único objetivo: agradar as pessoas.
Conheci o Zé, há muitos e muitos anos, no Gran Boliche, na Av. Santo Amaro, no tempo em que as pistas não eram automáticas. Eu era um garoto, que já gostava de boliche e me deliciava em ver aquele cidadão jogando e as bolas fazendo curvas. E, como fazia strikes...
Conversava com todos. Atencioso e simpático dava dicas de como jogar. Já naquela época.
Vim a ser seu amigo, anos mais tarde, já em sua fase de organizador de torneios.
Todos, sem exceção, foram maravilhosos.
Certa vez, escorreguei no aproach. Meus sapatos molharam em alguma coisa que pisei e, quando fui jogar, quase cai. Voltei meio sem jeito e, lá estava o Zé Veiga, com uma escova para que eu passasse na sola do sapato. Me deu a escova de presente. Guardo-a até hoje com imenso carinho.
Um perfeccionista em tudo que fazia. Irritava-se com si mesmo, quando alguma coisa dava errado.
Apreciador de boas músicas e bons filmes. Dono de uma ironia sutil, elegante. Religioso.
Seria bom que as pessoas contassem as histórias com o Zé. Devem ser milhares.
O último e-mail que recebi do Veiga continha uma oração. Quase que antevendo o futuro. A última mensagem dele, no site do Bira, quando provavelmente só tinha forças para teclar aquelas palavras, minutos antes de nos deixar. Disse, “Deve estar chegando minha hora. Faz parte da vida”. E concluiu com sua ironia peculiar: “Água no pulmão acho que descobri que pode ser tanto bolinho de "chuva" né? Kkk”.
E, se foi, nos largando um vazio imenso. Um aperto no coração e a certeza de que outro Veiga, não surgirá tão cedo em nossas vidas.
Vai em paz meu irmão, Zé Veiga. Algum dia nos veremos.
Mês de agosto, às margens do Mar Negro. Chovia muito e o vilarejo estava totalmente abandonado.
Eram tempos muito difíceis e todos tinham dívidas e viviam de empréstimos.
De repente, chega ao vilarejo um turista muito rico. Entra no único hotel do vilarejo, coloca sobre o balcão uma nota de 100 euros e sobe as escadas para escolher um quarto.
O dono do hotel pega os 100 euros e corre para pagar sua dívida com o açougueiro.
O açougueiro pega o dinheiro e corre para pagar o criador de gado.
O criador pega o dinheiro e corre para pagar a prostituta do vilarejo, que por conta da crise, trabalhou fiado.
A prostituta corre para o hotel e paga o dono pelo quarto que alugou para atender seus clientes.
Nesse instante, o turista desce as escadas após examinar os quartos, pega o dinheiro de volta, diz que não gostou de nenhum dos quartos e abandona o vilarejo.
Ninguém lucrou absolutamente nada, mas toda a aldeia vive hoje sem dívidas, otimista por um futuro melhor....